TRANSFORMAÇÃO

jayasegundaUm novo ciclo começa. E junto com ele a certeza de que algo incomoda. Não sei bem o que é. Olho em alguém e me vejo como em um espelho. Um esbarrão casual pode ser o gatilho. Tem algo dentro de mim que pulsa. Alguma transformação necessária. Mas, para que transformações ocorram é preciso que algo seja destruído. Para que algo novo surja, o antigo deve morrer. Om namah shivaya! Olho pra alguém e me vejo no espelho, na forma mais íntima: “Onde estão meus sonhos? Onde coloquei tudo aquilo em que acreditava? Quais foram minhas escolhas?”. Converso com alguém e escuto minha própria voz: “O que eu desejo? O que me incomoda? Onde está minha liberdade?”.

Algo incomoda e sei que preciso mudar. Mas não sei o quê, nem como. É preciso parar! Se observar! Silenciar e ouvir! Estar presente. Isso tudo já sei, é o que ouço em todas as minhas práticas de yoga. Mas, agora é hora de colocar em prática. De que vale o conhecimento sem a experiência? Meditação, identificação das ondulações da mente, identificação de apego às idéias, identificação de apegos. E, enfim, é preciso realizar a mudança.

Não é por meio das ações que reconhecemos nossa natureza divina. Como somos seres humanos, interagindo no mundo, precisamos agir. Mas, as ações devem ser conscientes, e não meras reações automáticas. As ações devem estar em harmonia com o Universo. Por isso, é preciso estar atento ao momento presente para identificar a necessidade da mudança.
Não existem perdas sem ganhos, não existem ganhos sem perdas. Deixar o velho pra trás pode ser custoso. É preciso abrir mão. Abrir mão de idéias concretizadas, de conquistas ilusórias. Olhar pra dentro e discriminar o que realmente importa e o que pode ser descartado pode ser um processo doloroso. Mas também pode ser um grande barato! E, entrar nessa brincadeira, chamada vida, com a disposição de uma criança para o jogo, torna as mudanças leves e nos permite desfrutar de cada momento. Direcionamos a vida para outro rumo, sem saber exatamente onde vamos chegar. Nunca saberemos qual será o resultado de nossa ação, ainda que tenhamos um planejamento. É preciso aceitar os seus resultados. A Bhagavad Gita nos diz “Esse mundo está preso à ação, exceto aquela feita como oferecimento. Ó Kaunteya [Arjuna], faça ação livre do apego [a seu resultado], com aquele propósito [como um oferecimento a Īśvara]” (capitulo 3, verso 9).

Mude! Transforme! Deixe de lado o que já não serve! Busque novos caminhos! Aja diferente! Mas nunca se esqueça de aceitar os resultados de suas ações. Aprecie os frutos das ações e, se necessário, faça novos ajustes. Recomece quantas vezes for necessário. Contemple a dança cósmica do Universo, que destrói o antigo, para trazer o novo!

Om Namah Shivaya, saudações à Shiva, o grande transformador.

Por Carina Uchoas
Publicado originalmente no Satya Yoga

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