Satsaṅg

“Ao estudarmos o Yoga e sua historia, percebemos que, apesar de certas similaridades, sua forma de expressão mudou bastante – pelo menos para a maioria de nós urbanóides. Podemos perceber essa mudança no que chamamos de satsaṅg, a “confluência da verdade”. Esta confluência é, em um nível físico, o encontro de pessoas que buscam suas verdades e que compartilham suas questões nesta caminhada – coloco “verdades, no plural porque vejo a verdade do satsaṅg como algo que cada um experiência internamente.

No budismo, o satsaṅg, ou saṅga, como geralmente é chamado nesta tradição, é tido como um dos três grandes refúgios do praticante, juntamente com o dharma e Buda. Hoje em dia é pouco comum vermos praticantes guiados por um mestre (Buda), que dirá uma onda de aprofundamento no estudo (dharma). Noto também que são poucos os lugares onde se consegue cultivar um espírito de satsaṅg como acontece, por exemplo, numa vida de āśram. Atualmente este pilar parece estar resumido, para a maioria dos praticantes, à “aula de Yoga das segundas e sextas”, com um grupo no qual só se conhece a cor do tapetinho. Não que satsaṅg seja um encontro de idéias e debates intelectuais, mais que não seja apenas uma proximidades física. É preciso, para haver satsaṅg, um envolvimento energético, uma intenção, uma abertura.”

Por Rodrigo Gomes Ferreira
Texto extraído do Cadernos de Yoga, edição 11.

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