Sakṣi. A Consciência testemunha

É uma noção chave para entender como funciona o Yoga. O yogi deve manter uma atitude totalmente equânime e imparcial perante qualquer pensamento, emoção ou sensação. Exercer a consciência testemunha significa desprender-se e desidentificar-se das próprias vivencias, sejam estas positivas ou negativas. Significa ficar consciente da separação que existe entre o ser profundo e o que acontece dentre ou fora da pessoa.

Exercer a consciência testemunha é manter uma atitude de atenção plena em tudo, sem envolver-se com nada. É aceitar os conteúdos da própria mente sem julgá-los. É desenvolver a qualidade de estar presente em tudo sem se deixar arrastar pela voragem dos acontecimentos.

“O ātmā é o conhecedor supremo, testemunha daquilo que se move e do que permanece fixo. É sattvā, sem qualidades, e não conhece nem a felicidade nem a infelicidade. Devī, deve-se dirigir o esforço a esta fonte de consciência pura”. Kaulajñāna Nirnaya, Vishatitamah Patala, 3-4.

Se a vida fosse uma peça de teatro, sakṣi seria ao mesmo tempo o ator e o espectador, aquele que tudo de tudo participa, tudo vê, mas com nada se envolve, nada julga, pois conhece a transitoriedade das coisas. Em poucas palavras, sakṣi é a capacidade de manter a equanimidade em todas as circunstâncias. É ter presente que tudo passa, e ficar ciente disso 24 horas por dia. Por isso não convém dizer “eu faço Yoga”, pois em verdade, você não “faz” Yoga. Ele já está feito! Você “desliza” para o estado de Yoga (união), em certos momentos. Por exemplo, quando consegue ficar totalmente consciente da sua respiração. E, se quiser transcender mesmo, chegar ao samādhi, deverá manter esse estado constantemente. A “pratica”, a técnica em si, funciona apenas como um catalisador que acelera esse processo. A técnica é o que você usa enquanto a intuição não vem.

Por Pedro Kupfer
Trecho retirado do livro Yoga Prático.
www.yoga.pro.br

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